sub specie aeternitatis

na praia deambulam seres movidos pela vontade do vento. belos como o esquálido sul que cristaliza o sal nas feridas dos moribundos, guiados pela inteligência das supernovas. ossos brancos de metal iluminados por um sol que em repouso se esconde atrás de um sonho. movem-se, mesmo na escuridão, e há homens que correm atrás, descalços e de mãos vazias.

ontem, as praias eram dos que encalhavam na margem, calcadas por cavalos, ocupadas por corvos que em bandos se juntavam ao final do dia. existia sempre um rumor, um riso transversal, uma definida forma de lamento.

para que se saiba, por fim, os trilhos não conduzem a lugar nenhum. lavados pelas ondas, morrem antes do entardecer, não conhecem alvoradas, transfiguram-se no seu próprio cansaço. sub specie aeternitatis a vida é um esqueleto que se move, apesar de tudo. parece que sim, parece que sim.

11. 05. 2019.

INSPIRADO PELA OBRA DE THEO J.

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