2. coleção de seres extraordinários

Nadir tinha os olhos borrados. demasiado jovem para estar tão perdida. mas estava perdida e acostou-se a mim como um escolho predisposto a naufragar. do fundo da alma verde falou-me de uma insondável soprano que se matara por amor e desespero. nas noites de coração dilacerado, em que o sangue lhe afluía aos olhos em vagas de incandescência, vestia-se de negro como a extinta. havia uma voz que a atormentava. a última ária, o último canto, como era possível não terem cessado todos os sons (?) – fazes–me lembrar coisas que nunca vivi! – confessou. a derradeira oscilação das águas, cava e monstruosa, levou-nos para o fundo. de olhos lavados, ainda lhe vi o brilho vítreo a desfalecer. – se a encontrares, diz-lhe: o amor não é nada, é só uma dor que fica, não basta para morrer.

11. 05. 2019.

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