conjetura

presumo que o desejo de todos os que são tomados pela escrita são os derradeiros poemas de amor e ódio, o seu próprio modo de sobrevivência automática e aumentada, para acabar de vez com o julgamento dos homens. não é novidade alguma a geografia de lugar nenhum onde habitam, que procuram mas não possuem as coisas inteiras, que se perdem em viagens breves e abraços infinitos, que a sua própria retina mecânica lhes roubou há muito os verões indianos e os outros contos. sem rumo, contemporâneos e distópicos, elogiando sem a escolha dos pássaros, de que lhes servem as breves histórias de inocência construídas sobre as ruínas da arquitetura da destituição? que memória descritiva justificará a importância de vidas misantrópicas, a existência de partes mortas que ainda se movem, do degelo, de um culto a um deus enfurecido? porque as vidas entristecidas afinal contam, profundamente suspirando o que devem e não devem, rodopiando nas incessantes páginas dos seus diários da desconformidade, arrastadas para costas inacabadas e sobre mistérios lançados na indiferença. entenda-se pois, a mais incondicional punição das árvores de folha caduca condenadas a sonhar com frutos de inverno.

13. 04. 2019.

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