isola bella

por sobre as águas espelhadas do lago estende-se um fino lençol de neblina que a luz dissolve mal lhe toca. parece que chego a um inferno invertido – quão excessivo se lhe chamasse paraíso, não me atrevo – no qual as almas são estátuas de mármore envelhecido, o Estige uma dilatação de azul, os círculos patamares de arbustos aprisionados na geometria das formas e as flores fulgurações do fogo eterno. e o que mais me toca é o semi-deus de pedra, com pés alados, cativo do plinto para toda a eternidade. mais humano que divindade, mais carnal que petrificado, porque claramente fita o infinito como o mais belo e sentimental dos seres. possível fora a mais estranha das transfigurações por um instante desejaria fundir as minhas veias e o meu sangue com os seus veios minerais, oferecer a minha expressão para a ligar com a sua e poder ver o que vê, revelar o segredo dos seus olhos.

16. 03. 2019.

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