identidade

no meu primeiro livro os textos não tinham títulos. lembro-me deles, sem os voltar a ler, pelo vulto do corpo, pelos resíduos de som, por um sobejo de cheiro, pela errática textura das palavras, por todos os traços indeléveis que depositaram na memória. com as pessoas sucede o mesmo. não precisam que lhes recordemos o nome. o nome é uma etiqueta oposta à nascença num instante em que os pais tudo desconhecem. não está ligado ao ser por coisa nenhuma, senão por uma débil convenção. se porventura nos falhar a articulação da fala, a visão desanuviada, a clareza de um tinido, restar meramente o que é seminal – a pura e doce nota de uma reminiscência -, como julgam que serão reconhecidos os nossos filhos?

19. 01. 2019

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