insuficiência da dor

faixas de deserto. talhões colocados de lado
terra de ninguém que sentimos como nossa

quão difícil expiar o tempo

o inapreensível objeto universal que é certo
vingar-se-á sempre da vida. como o sabemos

ah, e se o culpamos de tudo, e nele arrojamos
os desperdícios. um tapete de esquecimento

e ainda nos assusta a continuidade
de sermos contíguos uns dos outros
faixas desiguais, intercaladas por despojos

todos os rostos. pregados e apregoados

ares nocivos, abandono, feridas,
vácuo maior que o vazio

tudo o que coloca entre nós

saltos quânticos que nos desmembram
e alucinam, estremecem e adormecem

seja, expiado então. sem forma
seja, uma ponte derruída
seja, lapsos sobre lapsos de ignomínia

e que nada una o espaço entre os seus pilares.

[ ~ 24. nov. 2018. ~ ]

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