das coisas inteiras

ouvi a tua voz
um som límpido coado pela escuridão
não havia luz que a cegasse
nada que a quebrasse
chegava-me inteira e sem pressa
não se arrastava
nem se prendia

ouvi a tua voz
que é
depois do silêncio
a das coisas inteiras
que se despedaçam

que as coisas inteiras
ainda por quebrar
não têm voz

estão aprisionadas em si mesmas
na sua perfeita imperfeita perfeição

e a tua
era a única que sobrava.

[ ~ 27. out. 2018. ~ ]

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