memória do extraordinário

é domingo na cidade que devia achar estranha
mas as pequenas mesas dos cafés encostadas às montras
em fila única nos passeios estreitos
estão cheias de vida de cor
de uma descontração desusada
que afinal chamo-lhe casa

é domingo na cidade que vou deixar
o sol brilha e o parque está cheio de gente
derramada sobre a relva
que casa é a única coisa que me ocorre chamar

à cidade de facto estranha que me atravessa
como o anacronismo de um máquina de slides
na qual as imagens fotográficas
seccionaram os dias as horas
os espaços mais breves de tempo
cristalizados como memórias a revisitar
sempre que surgir

a cidade estranha
afinal casa
minha
por instantes.

[ ~ 8 mai. 2018 ~ ]

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