silêncio de gaze

não ralhes

alisa a toalha com a tua pequena mão direita
as migalhas assustadiças fugindo-lhe à frente
caindo na concha da irmã que nunca se queixa

não te atrases

primeiro uma cintilação dourada, depois o vulto,
indistinto, de novo aquela luz branca, o véu
de gaze sobre o sonho surdo, mudo, esforçado

não corras

os passos encaminham-se todos para a saída
como o botão que passa pela ranhura da casa
a casa sossega e acabas por fechar os olhos então

não voltes tarde

os olhos são as tuas janelas abertas mas escuras
voltadas para dentro e o silêncio que silencia
o teu rosto é a pomba assustada que se perdeu.

[ ~ 30 mar. 2018 ~ ]

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