estação sem nome

podes partir, podes deixar-me o nada que é o lugar de alguma coisa que se foi, que deixou de ser, mas teremos sempre aquela charneca ao entardecer quando a luz toda se confunde e a terra e o mar são um outro horizonte e a primeira estrela é a cintilação breve na ponta do farol que se acende. posso deixar de sentir o calor do teu corpo e o hálito doce da tua boca mas restará a suavidade fria que chega com o crepúsculo onde se aninham todos os cheiros de todas as ervas selvagens, as verdadeiras e as imaginárias. podem apagar-se os passos logo que os deixas na vereda mas dormirei sempre na casa fresca como se fora inverno e chovesse lá fora mas ao nascer do dia é verão afinal e corremos para a praia por entre pinheiros, carvalhos e eucaliptos lançando a inocência da nossa idade sobre a lâmina trémula do calor e a indisciplina do mar.

[ ~ 24 mar. 2018 ~ ]

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