o corpo e o sangue

a hóstia nunca lhe soube bem
na boca invariavelmente seca
colava-lhe a língua ao céu

sentia-se mudo, demasiado tempo,
enquanto lhe diziam ser o corpo
de Deus, nunca percebeu

porque tinha de deixar Deus
desfazer-se na boca, em vez de
a molhar com o sangue

olhava pois de viés para o cálice
de metal e sentia já o torpor
a enxotar-lhe a devoção

por fim liberto, da casa do Senhor,
foi devotamente, de caçadeira
em punho, matar a Criação.

 

[ ~ ’17 | 8 mar. 2018 ~ ]

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