sexta-feira negra

é sexta-feira
uma sexta-feira (in)vulgar
com a medida certa dos tempos esventrados
pelo vazio que nos foi dado a engolir
e engolimos assintomaticamente
sem o mínimo estertor
a sexta-feira negra
dos televisores kitsch
dos pêcês que nunca atingem
a velocidade da vida
dos micro-ondas que nos cozinham
por dentro a alma da alma requentada

é sexta-feira
uma sexta-feira singular
por estar como as demais
a oito dias da próxima
sempre uma semana atrás
de onde queria estar
apanhar um avião
perder o quotidiano
viver entre os quadros fotográficos
de uma janela de comboio
como fotogramas da existência
que me preenche
de súbito
respiro

não foi preciso chegar o sábado
tenho o mar oceano à minha frente
e a poalha líquida cola-se a mim
fria, húmida, resplandecente.

[ 25 | out | ’17 ]

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