do lado da Ria

. o céu
a luz cai sobre a ria numa cintilação que cega temporariamente quem insiste em olhar. o estio já vai teimosamente longo e o sul tem destes céus tão puros que é fácil julgá-los sempre assim. hoje está particularmente intenso, despido, quase índigo. o sol queima as superfícies mortais enquanto a sombra deixa escapar o calor como uma criança que nos foge das mãos.

. o mercado
os montanheiros vieram uma vez mais à vila vender os pintos, os figos secos e os lampos. cheira a farturas, à terra que se solta das raízes dos legumes e a azeitonas britadas com orégãos. ali há grão de bico, mulheres de bata como as nossas avós, uma moça do campo muito bonita. quando o dia chega a meio todos se vão e no chão ficam os restos que as gaivotas devoram. por entre os gritos lancinantes passam os últimos turistas da manhã e a tarde entra em Olhão junto aos mercados, pelo lado da Ria.

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